Jornalista Meireles

Thursday, December 25, 2003

Procura-se o espírito natalino

Procura-se o espírito natalino

Qualquer réstia, n'alguma sombra ou atrás dos rochedos, procura-se o espírito natalino, assim como almejar a chuva, assim como se desperta e sai a procura das manhãs ao olhar o sol, assim como quem suspira, ou murmura ou sorri.
Procura-se: E há de haver em algum lugar sobre os bancos da praça ou estampados nos jornais algo que arranque lágrimas ou que toque no ventre humano.
Procura-se por aquele velhinho, agora desnutrido, mas que outrora me fizestes tecer sonhos.
Procura-se como quem abre todas as gavetas a fim de encontrar a chave.
Procura-se como uma largata exposta ao sol e uma fogueira que aquece e ilumina.
Procura-se nas mãos do poeta, nas vozes sinfônicas, nas luzes noturnas que enfeitam os olhos ou no pão saboroso.
Procura-se de uma forma desvairada como se a essência do nada fosse a busca.
Revira os lençóis da cama e põe do avesso essa estranha face. Compra-te um presente e põe na tua sala vazia para que a solidão não a perceba. E coloca tua meia a porta e toque os sinos.
Então, procura como quem dança e não como se fosse uma busca constante de achar o inatingível.
E de todos os lugares inócuos, invisíveis, irrisíveis e inúteis.
A tua luz sem chama e o Teu eu que ocultas.
Procura, mas procuras em si.
Procura, mas não se tranque no quarto a ver a vida passar...Singela...Serena...Suave...
Procuras, mas não te enrijeces...
Procuras, mas não te esqueces de olhar o menino que caminha ou os pássaros que deslizam lentamente ao ar/céu.

Emiriene Costa