Saturday, March 13, 2004

Eu e o Caipira

Eu e o Caipira

Estava eu, a observar a pintura de Almeida Júnior, na sala de aula da Biblioteca Municipal no curso de produção de texto. A professora propôs que fizéssemos uma produção textual diante daquela arte. Eu que atentamente observava tudo, vi meus colegas, jovens e adolescentes, em diversas analogias...Enquanto alguns conversavam, riam, outros estavam inclusos em seus pensamentos. E eu taciturno e calado fazia similar expressão do "O Caipira Picando Fumo". Porém em minhas mãos, diferentes do Caipira, sustentavam papel e lápis.

E como é bom saber que a arte nos proporciona viagens, ela nos leva para lugares passados e até um futuro as vezes inexistente, a estações diversas e algumas vezes é necessário o distanciamento para poder apreciar e entender a arte como acontece com as pinturas impressionistas.


Dei alguns passos dentro de minha infância, fui no interior da Bahia e pisei aquele mesmo chão de barro. Lá vi crianças que brincavam inocentemente, sobre aquela areia que moudurava suas roupas, e que diante ao sol pareciam purpurinas. Vi as casas de taipas e as galinhas no terreiro que procuravam por réstias de vidas, nesse sertão que minguava a esfera da fome. Também vi pés descalços e o olhar distantes daqueles que jaziam conquistas e vi por muitas vezes a mão sobre o ventre carregado.

Almeida Jr, sabia o que estava fazendo com a composição daquela pintura, que estava diante dos meus olhos, e que por ela refletia um Brasil sem guerras, sem poluição e sem luxurias. N'alqum lugar o mesmo ar fresco que o entardecer e a natureza límpida jamais se esvaia nessa atmosfera nordestina.

Nenhum conflito, nenhum parente, nenhuma bomba... apenas eu, o Caipira e nossos sonhos. Sonhos que perpassavam as sombras cuja tarde mansamente conduzia-o a noite para contar estrelas, a fim que elas tornassem por um instante, cadentes.

Pelos meus ouvidos, agora, aquela ópera e a ele a sonata dos pássaros e dos grilos. Nenhum sinal de fumaça, nem o fogo do café, nem o fumo acesso. Apenas a plantação e o homem... Diante do poeta a pintura e do pintor a criatura...

Abro os olhos e percebo, que não há mais ninguém, todos já havia se despedido mas eu taciturno e calado não vejo armas, nem sangue, nem a dor. E se assim for, em nome da arte, convido-te a outras viagens.


Emiriene Costa

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