Saturday, March 27, 2004

Presságio

O trem atravessou esse espaço entre o pensamento e os sonhos
E ao trabalho diário me conduzi, almejando entardecer.
Porém, meus olhos se voltaram para toda condição humana.
Roupa suja, mãos lavadas, braços nus...

De repente, descobri que a chegada do sol era o presságio para a vida.
Um novo dia sobre outro dia que eu carregava nos ombros.
E a única palavra ao acordar era tecida pelo galo no quintal
A fim de que fosse o canto simbólico enviado por Deus.

Agora o apito do trem fazia-se sonata que meus ouvidos havia se acostumado
Porque meus filhos cresciam no riacho que outrora me banhava
Descalços sobre o chão que eu pisara
Famintos...Sobre a condição que me encontrava.

Anoitece!
E tudo então é o que se passa nesse vagão.
Que meus sonhos nunca esquecem...
Esse vagão que todas as manhas é a porta para um novo dia de trabalho ou um novo recomeço.


Emiriene Costa

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