Jornalista Meireles

Wednesday, May 26, 2004

Tribo, um artifício para a juventude

Tribo, um artifício para a juventude

Clubbers, góticos, punks, corvos, metaleiros, hippies, seja qual for o nome. Rebeldes ou não, lançam suas modas e seus estilos diferenciados porque acreditam que sua identidade necessita de um nome, ou porque que imaginam encontrar, através desses grupos, respostas para seus questionamentos.

Mas é preciso perguntar por que jovens e adolescentes procuram pelas tribos. É sabido que muitos buscam diferenciação por meio da imagem, mas, em meio às diferenças, sempre haverá algo de comum: o desejo pela liberdade e, sobretudo, o desejo de reter a juventude por meio de artifícios da aparência, como forma de rebelar-se contra uma padronização da cultura.

Muitos pintam os cabelos com cores exóticas, vestem roupas fora dos padrões, marcam os corpos com tatuagens e piercings, buscando atrativos que revelem sua ideologia pela sua aparência.

Mas pergunto: por que o mundo tem divisões? Por que os adolescentes, que deveriam se reunir e compartilhar suas peculiaridades, se escondem dentro de redemoinhos chamados de “tribos”? Eles crescem no paradigma da sociedade moderna, com uma visão única, aparentando ser os donos da verdade. Com isso, adiam a vida adulta, inseridos não só em grupos, mas no seu mundinho peculiar, criando distanciamento de tantas outras tribos, e principalmente a dos “seres humanos”.



Emiriene Costa

Wednesday, May 05, 2004

Os abutres incontáveis da nova era

Os abutres incontáveis da nova era

Dirigido por Billy Wilder em 1951, A montanha dos 7 abutres é um filme que retrata fielmente a conduta jornalística dos tempos da máquina de escrever, e que se reflete hoje na era do computador.

O enredo mostra-nos como se comercializa, sensacionaliza e prostitui a notícia, para vendê-la como mercadoria a alto preço. A cobiça pela notícia é o foco principal, e por isso a menção aos abutres: os urubus famintos e insaciáveis das tragédias, que manipulam os fatos de acordo com seus interesses.

Muitos jornalistas fazem da notícia algo irreal, colocando a realidade longe da própria realidade. É o caso da montanha retratada no filme: tida como amaldiçoada pelos índios, é assim descrita pelo jornalista para dar maior dramaticidade à matéria sobre um operário preso a uma mina.

O circo (simbologia da alegria) foi para a cidade, abusando da provável morte da vítima. De certa forma, todos se felicitam com a dor, assistem à dor e falam da dor alheia como algo comum. A morte e a violência são tão comuns que passam por nós como um acontecimento irreal, que não nos choca mais. A dor passou a ser uma brincadeira das redações.

Existem abutres visíveis e invisíveis tanto no enredo do filme como na realidade vigente... Mas onde estão os abutres? Na notícia? Ou são aqueles que lêem a notícia e aceitam-na passivamente: Ou quem sabe os que fazem dela um produto a ser consumido e digerido sem consciência da verdade? Onde está a verdade da notícia? A verdade está em salvar vidas ou obter noticias?

Mas não só o enredo principal que permite uma reflexão profunda sobre o jornalismo, a todo o momento o protagonista dita suas regras sobre o ele considera notícia.

A informação se encontra em adiantado estado de mercantilização, não mais fazendo sentido senão como produto de uma indústria cultural, feita não mais para informar, mas apenas para ser consumida. E o mundo continua desabando em cima da verdade.

Emiriene Costa