Wednesday, August 11, 2004

Piedosas são as tuas mãos

Piedosas são as tuas mãos

Piedosas são as tuas mãos
Que afagam o rosto enquanto lacrimeja,
E se prende entre os arredores da boca que verseja
Réstias de pensamentos guardados.

Olho-te de longe, ô mão caridosa,
Sinto-te de perto, estrela gloriosa,
Mas não ouso ser teu servo
Nem hoje, nem algum tempo guardado.

Torno-me um ventre e tu afagas,
Torno-me alimento e tu me beijas,
Torno-me mesmo assim um escravo,
Em um trabalho em que tu estejas: guardado.

Mas tu não sabes que eu existo,
E procuras aflita uma coisa qualquer,
Sou teu poema e nisso não minto,
Mão cálida resguardada de uma mulher.


Jornalista Meireles

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