Tuesday, March 22, 2005

As meninas do assento etéreo

As meninas do assento etéreo


à Vivian Zabotto e Thais Barros


Ali, estavam elas, com as suas ancas sobrepostas ao chão... Cujas mãos declinavam para traz, firmando-se em seus assentos, alicerçando aquele espaço, de sonhos e palavras.
Dias e anos se passaram, e ali, todas as noites elas estavam, enraizadas pela beleza e pelas suas grandes leniências, conduzidas a um só instante etéreo de pousar suas assas sobre o córrego dessas escadas.
Em meio a cada degrau as tuas vozes e teus sorrisos que inebriavam aquele ambiente, sempre possuidoras de ramos e flores.
Desconhecia os teus preceitos e os teus sonhos, desconhecia as tuas condutas e as vossas idades... Mas adimirava-as pelos caules amarronzados. E, podia todas as noites, tuas faces vislumbrar, quando o vento cálido aos teus galhos tocavam, sobre a magnitude, a conduta e os amores. Doces pétalas, doces criaturas, em sábia primavera.
Eram apenas duas que ali estava, uma de olhar prateado, outra de face serena, uma esboçava um canto, outra tão meia e pequena, uma era rosa singela, outra lembrava jasmim, conhecedoras das mais diversas estações. E eu, sempre as encontrava sentadas a contar os contos, a ouvir os pássaros, a germinarem os frutos. Sem malícia, sem descrença, sem governo.
Outrora oscilavam sobre a construção ainda inexistente, e os tijolos, ainda não postos, mas preparados estavam, para esse jardim... A idéia condescendente do assento das flores.


Por Emiriene Costa

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