Tuesday, March 22, 2005

Aí que fome de cabelo

Aí que fome de cabelo


Por Emiriene Costa


Essa vida é mesmo muito engraçada. É sabido que falta comida no mundo, que a fome se alastra gradativamente, mas comer cabelo é o cúmulo do absurdo.
Comer, degustar, apreciar, engolir, digerir, mastigar, sugar as substâncias capilares... Definições variadas para entender o ato.
Na certa os comedores de cabelo, os denominados: tricofágos, acreditem que possam adquirir pela boca o que no cérebro não encontram. E vai ao ventre, e segue pelas entranhas estomacais, desce, sobe e faz digestão, até que outros bolos de pêlos se formem em suas vísceras. Vai nascer cabelo até na alma, quanta criatividade para combater a fome.
Existem hoje em dia muitas pessoas que apreciam a boa comida, mas o que é a boa comida para os degustadores de cabelos? Cabelos loiros devem ter um gosto diferenciado dos ruivos e pretos. Mas e os pintados? E os tingidos, que gosto deve ter? Provavelmente o gosto da modernidade, do industrial, do capitalismo, e que decerto agradam o paladar de muitos.
Que Fome Zero que nada, a onda agora é criar cabelos e comê-los, com tinturas ao molho. Então, cuidado cabecinhas de plantão, se seus fios capilares forem inadivertivelmente arrancados é hora de saber que os tarados ou esfomeados estão a solta.
Precisamos protestar contra a fome no mundo, mas precisamos também conhecer a face dos trilomaníacos (arrancadores de cabelo), não queremos conviver com a nossa calvície, não queremos ver nossos preciosos fios nos pratos servidos como sobremesa na mesa de granfínos.

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